sábado, 10 de abril de 2010

Ainda a propósito do Jesus...

O Benfica tinha ganho os últimos 3, 4, 5 ou 6 jogos contra o Liverpool. O Benfica estava numa forma fantástica. O Benfica iria fazer um resultado do outro mundo e uma exibição épica. O Aimar ia tirar partido da falta de mobilidade do Kyrgiakos. O Jesus, grande mestre da táctica, tinha desenhado um 11 com David Luiz à esquerda porque queria contrariar o jogo aéreo dos reds de Liverpool. A noite pertenceria aos vermelhos da Luz, que entraram "personalizados" (o oleoso do costume dixit).

Depois do 1º golo foi a depressão. O golo foi "esquisito" porque o árbitro mais longe da bola assinalou uma falta que as repetições mostraram não existir. Falou-se então do alegado recurso indevido ao monitor do 4º árbitro... mas afinal o Nuno Luz não queria assumir que isso tivesse acontecido. O SLB encaixou o segundo golo: o GR é que ficou parado, é um nabo, deveria estar lá o Quim. Enfarda o terceiro: ontem aconteceu algo parecido em Manchester e foram os alemães quem passou. Havia esperança para os jornalistas da SIC porque existe um Robben em potência em cada uma das orelhas do Di Maria e um Ribery sem cicatriz nas botas do Carlos Martins. E fez-se luz (grande trocadilho, não é? tendo em conta o nome do jornalista e o estádio...): Cardozo marca um livre direitinho para a barreira mas o desvio num dos oponentes coloca Reina fora de combate. Depois de tanta especulação sobre o primeiro golo do Liverpool, os isentos comentadores da SIC não dizem nem uma palavra sobre o facto da falta que deu origem ao golo dos seus heróis ser inexistente.

Mas os malandros dos ingleses marcam o quarto e acabaram com o jogo; depois dos elogios à berraria do Jesus, ao impeto do cabeludo defesa e à expectativa do Cardozo repetir a graça. Depois disso já tudo era o "factor F", a lesão do Luisão que condicionou a equipa, a substituição do GR que foi um duro golpe, o mago da táctica que errou em aludir à falta de energia da equipa, a fragilidade do gadelhudo na esquerda da defesa, os suplentes que deixaram de ser alternativas de luxo e a equipa que passou a ser "curta" porque jogam sempre os mesmos e estão esgotados. Por fim, também a diferença de ritmo para a Premier League, que é da responsabilidade do campeonato português, que não permite ao SLB rodar para estes confrontos com os seus "iguais" (mais uma pérola do oleoso).

Estou cansado de me rir. Foi uma noite fantástica: 4 golos, comentários ao sabor da maré, depressão para 6 milhões, cachecóis nas gavetas da redação da TVi, da SIC e d'A Bola - cá em casa está tudo bem. A Primavera chegou: aqueles dias lindos de sol e brisa que acabam assim, com um enfardanço do SLB. As vitórias do FCP são aquilo que nos anima. As descidas à terra do SLB são aquilo que nos diverte. Poderia ser de outra maneira? Poder, podia, mas não era a mesma coisa...

Sem comentários:

Enviar um comentário